SÃO PAULO PAROU ONTEM PARA DEFENDER O REGIME
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Publicado
na Folha de S.Paulo, sexta-feira, 20 de março de 1964
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Neste texto foi mantida a grafia original
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A disposição de São Paulo e dos brasileiros de
todos os recantos da patria para defender a Constituição
e os principios democraticos, dentro do mesmo espirito que ditou a
Revolução de 32, originou ontem o maior movimento civico
já observado em nosso Estado: a "Marcha da Familia com
Deus, pela Liberdade". Com bandas de musica, bandeiras de todos os Estados, centenas de faixas e cartazes, numa cidade com ar festivo de feriado, a "Marcha" começou na praça da Republica e terminou na praça da Sé, que viveu um dos seus maiores dias. Meio milhão de homens, mulheres e jovens - sem preconceitos de cor, credo religioso ou posição social - foram mobilizados pelo acontecimento. Com "vivas" à democracia e à Constituição, mas vaiando os que consideram "traidores da patria", concentraram-se defronte da catedral e nas ruas proximas. Ali, oraram pelos destinos do país. E, através de diversas mensagens, dirigiram palavras de fé no Deus de todas as religiões e de confiança nos homens de boa-vontade. Mas, tambem de disposição para lutar, em todas as frentes, pelos principios que já exigiram o sangue dos paulistas para se firmarem. |
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| São Paulo pára em defesa do regime e da Constituição | |||||||||||
Ontem, São Paulo parou. E foi à praça publica - porque "a praça é do povo" - numa mobilização que envolveu meio milhão de homens, mulheres e jovens, tambem de outros Estados: a "Marcha da Familia com Deus, pela Liberdade". Durante hora e meia, com a cidade adquirindo aspectos de feriado, um caudal humano correu, ininterruptamente, da praça da Republica para a praça da Sé, passando pela rua Barão de Itapetininga, praça Ramos de Azevedo, Viaduto do Chá, praça do Patriarca e rua Direita, até se represar ante as escadarias da catedral metropolitana. Foi a maior manifestação popular já vista em nosso Estado. O repudio a qualquer tentativa de ultraje à Constituição Brasileira e a defesa dos principios, garantias e prerrogativas democraticas constituiram a tonica de todos os discursos e mensagens dirigidos das escadarias da catedral aos brasileiros, no final da passeata. |
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| "Fidel, Padroeiro de Brizola" | |||||||||||
Nas escadarias da catedral, sucederam-se os oradores. Às 18h50, a massa humana chegara à praça da Sé. E encontrou-a ocupada por multidão que acenava com lenços e bandeirolas. O senador padre Calazans ocupara o microfone antes da chegada dos manifestantes e voltou a discursar, após o primeiro orador - sr. Amaro Cesar - ter discorrido sobre os objetivos da "Marcha". Disse o reverendo: "Hoje é o dia de São José, padroeiro da familia, o nosso padroeiro. Fidel Castro é o padroeiro de Brizola. É o padroeiro de Jango. É o padroeiro dos comunistas. Nós somos o povo. Não somos do comicio da Guanabara, estipendiado pela corrupção. Aqui estão mais de 500 mil pessoas para dizer ao presidente da Republica que o Brasil quer a democracia, e não o tiranismo vermelho. Vivemos a hora altamente ecumenica da Constituição. E aqui está a resposta ao plebiscito da Guanabara: Não! Não! Não!". As palavras finais do senador foram acompanhadas em unissono pelos presentes. Depois, o pe. Calazans lembrou que "aqui estamos sem tanques de guerra, sem metralhadoras. Estamos com nossa alma e com nossa arma, a Constituição". |
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| Marcha, veterano e mensagem | |||||||||||
À chegada de d. Leonor Mendes de Barros, às 17h20, que provocou vivas e palmas, a banda da Força Publica tocou o Hino Nacional, que foi cantado por todos os manifestantes enquanto acenavam com lenços brancos. Em seguida, discursou o sr. Geraldo Goulart, veterano de 32, dizendo da semelhança entre a situação atual e aquela que originou a Revolução Constitucionalista. Depois, uma mãe paulista leu a mensagem da mulher bandeirante ao povo brasileiro. |
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| Oração pelo Brasil | |||||||||||
Coube à profa. Carolina Ribeiro, ex-secretaria da Educação, orar ao microfone por São Paulo e pelo Brasil. Todos a acompanharam no Pai Nosso e ouviram-na dizer: "Temos que pedir a Deus, neste momento em que nossos corações fervem de indignação, que não caiamos na tentação da revolta, porque só a Deus compete levar-nos pelo caminho certo". Ao Pai Nosso, seguiu-se a Ave Maria, tambem rezada conjuntamente, com o padre Calazans ao microfone: "Repudio às ofensas lançadas ao Rosario no comicio da Guanabara". Era a hora do "Angelus". Todos deram um viva à "Rainha do Brasil". |
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| "Liberdade é como saude" | |||||||||||
"Esta manifestação popular é uma prova de que São Paulo e o Brasil querem ver sua bandeira eternamente livre" - ressaltou o dep. Ciro Albuquerque, presidente da Assembléia Legislativa paulista, que prosseguiu. "A liberdade é como a saude: somente lhe damos valor depois que a perdemos. Queremos paz, tranquilidade. E, sobretudo, exigimos respeito à Constituição e às instituições democraticas". Em seguida, conclamou todos os membros das casas legislativas brasileiras a "estudar as reformas, que o povo deseja e merece, mas que devem ser feitas dentro do respeito à soberania do Congresso Nacional". Finalmente, leu mensagem dos prefeitos paulistas, dando conta da assinatura de um manifesto, em que conclamam os brasileiros a lutar por aqueles principios. |
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| Mensagem de alerta | |||||||||||
Seguiram-no na tribuna o deputado Arnaldo Cerdeira e o sr. Amaro Cesar; aquele ressaltando que "não admitiremos a transgressão à lei, a agressão à Constituição"; este, lendo outra mensagem de alerta, dirigida pelos integrantes da "Marcha" ao povo brasileiro. O representante da delegação da Guanabara, dep. Everardo Magalhães, tocou no nome do sr. Leonel Brizola e não pôde continuar o discurso por alguns minutos. Todos os manifestantes gritavam: "1, 2, 3, Brizola no xadrez. Se tiver lugar, vai o Jango tambem". Vaias estrondaram por toda a praça e, logo depois, o parlamentar prosseguia: "Vamos dar nossa resposta democratica ao plebiscito da Guanabara". E todos levantaram os braços, acenando novamente com lenços brancos, "pela Constituição". E o deputado retrucou: "Obrigado paulistas. Obrigado brasileiros. Esta é a mensagem que levo para o Rio". Nesse momento, a banda da Força Publica executou o Hino Nacional, cantado pelos presentes, ainda com os lenços acenando. |
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| Armas: contra ou a favor? | |||||||||||
O orador seguinte foi o dep. Plinio Salgado, que dirigiu pergunta às Forças Armadas: "Bravos soldados, marinheiros e aviadores de nossa patria, sereis capazes de erguer vossas armas contra aqueles que querem se levantar, aqueles que se levantam contra a desordem, a subversão, a anarquia, o comunismo? Contra aqueles que querem destruir os lares e a soberania da patria? Esta manifestação não vos comove? Será possivel que permitireis, ainda, que o Brasil continue atado aos titeres de Moscou?" |
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| "Basta! Basta! Basta!" | |||||||||||
O deputado Cunha Bueno, em seguida, agradeceu, em nome dos paulistas, o comparecimento das delegações do interior e de outros Estados. E acentuou: "Os brasileiros aqui estão reunidos para dizer ao presidente da Republica: Basta! Basta! Basta (nestas palavras foi seguido pelos manifestantes). O que queremos é paz para continuar nosso trabalho". Deu "vivas" ao Brasil e à democracia. |
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| Espirito de 32 | |||||||||||
Por sua vez, o dep. Herbert Levy acentuou: "Vossa presença neste momento historico significa que o povo brasileiro não quer ditadura, não quer comunismo. Quer paz, ordem e progresso. O povo está na rua revivendo o espirito de 32 em defesa da Constituição que fizemos com o nosso sangue. E, se preciso, iremos todos, velhos, moços e até crianças, para as trincheiras de 32. Esta é a advertencia para o presidente da Republica e seu cunhado, para que não brinquem de comunismo no Brasil". Foi interrompido varias vezes pelos populares, que gritavam: "1, 2, 3, Brizola no xadrez" e "Verde-amarelo, sem foice e martelo". E a banda da Guarda Civil atacou a marcha "Paris Belfort", o hino da Revolução de 32. |
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| "Escravatura vermelha" | |||||||||||
A deputada Conceição da Costa Neves tambem dirigiu saudação aos brasileiros, dizendo: "Aqui, mercê de Deus, se encontra o Brasil unido contra a escravatura vermelha. De São Paulo partirá a bandeira que percorrerá todo o país, para dizer a todos os partidos que a hora é de união, para dizer basta ao sr. presidente da Republica". Depois, houve outros oradores - estudantes e representantes de outros Estados -, todos ressaltando a necessidade de união pela preservação do regime, e o deputado Camilo Aschar afirmou que "a Assembléia Legislativa de São Paulo estará alerta para o que der e vier". Discursou tambem o prefeito de Campinas, sr. Rui Novais, e um representante da delegação paranaense lembrou que "32 e 32 somam 64". |
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| "Senão, não!" | |||||||||||
O ultimo orador a ocupar a tribuna foi o sr. Auro Soares de Moura Andrade, presidente do Congresso Nacional. E disse: "Sentimos que hoje é um dia de importancia historica para o Brasil. O povo veio à praça publica para demonstrar sua confiança na democracia. Veio para afirmar perante a Nação que os democratas não permitirão que os comunistas sejam os donos da Patria. Democratas do Brasil, confiem, não desconfiem das gloriosas Forças Armadas de nossa patria. Dentro de cada farda, não está somente um corpo, mas tambem uma consciencia e um juramento feito. Que sejam feitas reformas, mas pela liberdade. Senão, não. Pela Constituição. Senão, não. Pela consciencia cristã do nosso povo. Senão, não". E todos os presentes o acompanharam no "senão, não". Logo em seguida, a banda tocou a Canção do Soldado, cantada pelos manifestantes, que, depois, repetiram os "slogans" contra o sr. Leonel Brizola e o comunismo e se foram da praça. Eram 18h45 e, muitos, entraram na catedral para assistir à missa vespertina. |
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| Agua na passeata | |||||||||||
Foi o proprio deputado Murilo de Sousa Reis quem efetuou a interdição de um predio comercial, na rua Barão de Itapetininga, e, acompanhado de policiais, revistou todos os conjuntos. Isso porque de um deles haviam atirado um balde de agua nos transeuntes componentes da passeata. Numa das janelas, aquele deputado constatou que o seu batente estava molhado e efetuou a detenção do responsavel pelo escritorio e de um outro elemento que o acompanhava. Ambos foram conduzidos ao DOPS e só à noite foram dispensados. |
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| Ovos e prisões | |||||||||||
Outro fato, mais tarde esclarecido, foi a detenção que a Policia que vistoriava a passeata efetuou na praça da Sé, de dois jovens que portavam dentro do carro grande quantidade de ovos de galinha. Apontados por transeuntes, que disseram que os rapazes iam jogar os ovos na multidão, os dois foram detidos e encaminhados ao DOPS. Só então foi constatado que as caixas se destinavam a um supermercado. Os dois foram dispensados. |
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Textos para o Juri Simulado 9º ano
Textos para o Juri Simulado 7º ano
A “caça às bruxas”:
uma interpretação feminista
A
“caça às bruxas é um
elemento histórico da Idade Média. Entre os séculos XV e
XVI o “teocentrismo” – Deus como o centro de tudo – decai
dando lugar ao “antropocentrismo“, onde o ser humano passa a
ocupar o centro. Assim, a arte, a ciência e a filosofia
desvincularam-se cada vez mais da teologia cristã, conduzindo,
com isso a uma instabilidade e descentralização
do poder da Igreja. Como uma forma de reconquistar o centro das
atenções
e o poder perdido, a Igreja Católica instaurou os “Tribunais da
Inquisição”,
efetivando-se assim a “caça
às bruxas“. Mas quem eram, enfim, estas mulheres que fizeram
parte de um capítulo tão
horrendo da história da humanidade, e por que o feminismo retoma
as bruxas como um dos seus principais símbolos?
1.
A “caça às bruxas”
A
“caça às bruxas” durou mais de quatro séculos e ocorreu,
principalmente, na Europa, iniciando-se, de fato,em1450 e tendo
seu fim somente por volta de 1750, com a ascensão
do Iluminismo. A “caça
às bruxas” admitiu diferentes formas, dependendo das regiões
em que ocorreu,
porém, não perdeu sua característica principal: uma massiva
campanha judicial realizada pela Igreja e pela classe dominante
contra as mulheres da população
rural (EHRENREICH & ENGLISH, 1984: 10). Essa campanha foi
assuminda, tanto pela Igreja Católica, como a Protestante e até
pelo próprio Estado, tendo um significado religioso, político e
sexual. Estima-se que aproximadamente 9 milhões
de pessoas foram acusadas, julgadas e mortas neste período, onde
mais de 80% eram mulheres, incluindo crianças
e moças que haviam
“herdado este mal” (MENSCHIK, 1977: 132).
1.1.
Quem eram as bruxas
Ao
buscarmos uma definição
do termo “bruxa” em dicionários, logo pode-se perceber a
direta vinculação com
uma figura maléfica, feia e perigosa. Neste sentido, também os
livros infanto-juvenis costumam descrever histórias onde existe
uma fada boa e linda e uma bruxa má e horrível.[1]
Ao
analisarmos o contexto histórico da Idade Média, vemos que
bruxas eram as parteiras, as enfermeiras e as assistentes.
Conheciam e entendiam sobre o emprego de plantas medicinais para
curar enfermidades e epidemias nas comunidades em que viviam e,
conseqüentemente, eram portadoras de um elevado poder social.
Estas mulheres eram, muitas vezes, a única possibilidade de
atendimento médico para mulheres e pessoas pobres. Elas foram por
um longo período médicas sem título. Aprendiam
o ofício umas com as outras e passavam esse conhecimento para
suas filhas, vizinhas e amigas.
Segundo
afirmam EHERENREICH & ENGLISH (1984, S. 13), as bruxas não
surgiram espontaneamente, mas foram fruto de uma campanha de
terror realizada pela classe dominante. Poucas dessas mulheres
realmente pertenciam à bruxaria, porém, criou-se uma histeria
generalizada na população,
de forma que muitas das mulheres acusadas passavam a acreditar que
eram mesmo bruxas e que possuíam um “pacto com o demônio”.
O
estereótipo das bruxas era caracterizado, principalmente, por
mulheres de aparência desagradável ou com alguma deficiência física,
idosas, mentalmente perturbadas, mas também por mulheres bonitas
que haviam ferido o ego de poderosos ou que despertavam desejos em
padres celibatários ou homens casados.
1.2.
A “caça às bruxas e
o “Tribunal da Inquisição”
Com
a ascensão da Igreja
Católica, o patriarcado imperou, até mesmo porque Jesus era um
homem. Neste contexto, tudo o que a mulher tentava realizar, por
conta própria, era visto como uma imoralidade (ALAMBERT, Ano II:
7). Os costumes pagãos
que adoravam deuses e deusas, passaram a ser considerados uma ameaça.
Em 1233, o papa Gregório IX instituiu o Tribunal Católico
Romano, conhecido como “Inquisição”
ou “Tribunal do Santo Ofício”, que tinha o objetivo de
terminar com a heresia e com os que não
praticavam o catolicismo. Em 1320 a Igreja declarou oficialmente
que a bruxaria e a antiga religião
dos pagãos
representavam uma ameaça
ao cristianismo, iniciando-se assim, lentamente, a perseguição aos hereges.
A
“caça às bruxas”
coincidiu com grandes mudanças
sociais em curso na Europa. A
nova conjuntura gerou instabilidade e descentralização
no poder da Igreja. Além disso, a Europa foi assolada neste período
por muitas guerras, cruzadas, pragas e revoltas camponesas, e se
buscava culpados para tudo isso. Sendo assim, não
foi difícil para a Igreja encontrar motivos para a perseguição
das bruxas.
Para
reconquistar o centro das atenções
e o poder, a Igreja Católica efetivou a conhecida “caça às bruxas”. Com o apoio do Estado, criou tribunais, os
chamados “Tribunais da Inquisição”
ou “Tribunais do Santo Ofício”, os quais perseguiam, julgavam
e condenavam todas as pessoas que representavam algum tipo de ameaça às doutrinas cristãs.
As penas variavam entre a prisão
temporária até a morte na fogueira. Em 1484 foi publicado pela
Igreja Católica o chamado “Malleus
Maleficarum”, mais conhecido como “Martelo
das Bruxas”. Este livro continha uma lista de requerimentos
e indícios para se condenar uma bruxa. Em uma de suas passagens,
afirmava claramente, que as mulheres deveriam ser mais visadas
neste processo, pois estas seriam, “naturalmente”, mais
propensas às feitiçarias
(MENSCHIK, 1977: 132 e EHRENREICH & ENGLISH, 1984: 13).
1.
3. Os “crimes” praticados pelas bruxas
No
contexto da “caça às
bruxas” haviam várias acusações
contra as mulheres. As vítimas eram acusadas de praticar crimes
sexuais contra os homens, tendo firmado um “pacto como demônio”.
Também
eram culpadas por se organizarem em grupos – geralmente
reuniam-se para trocar conhecimentos acerca de ervas medicinais,
conversar sobre problemas comuns ou notícias. Outra
acusação levantada
contra elas, era de que possuíam “poderes mágicos”, os quais
provocavam problemas de saúde na população,
problemas espirituais e catástrofes naturais (EHRENREICH &
ENGLISH, 1984: 15).
Além
disso, o fato dessas mulheres usarem seus conhecimentos para a
cura de doenças e
epidemias ocorridas em seus povoados, acabou despertando a ira da
instituição médica
masculina em ascensão,
que viu na Inquisição
um bom método de eliminar as suas concorrentes econômicas,
aliando-se a ela.
1.4.
Perseguição e condenação à fogueira
Qualquer
pessoa podia ser denunciada ao “Tribunal da Inquisição”.
Os suspeitos, em sua grande maioria mulheres, eram presos e
considerados culpados até provarem sua inocência. Geralmente, não
podiam ser mortos antes de confessarem sua ligação
com o demônio. Na busca de provas de culpabilidade ou a confissão
do crime, eram utilizados procedimentos de tortura como: raspar os
pêlos de todo o corpo em busca de marcas do diabo, que podiam ser
verrugas ou sardas; perfuração
da língua; imersão em
água quente; tortura em rodas; perfuração
do corpo da vítima com agulhas, na busca de uma parte indolor do
corpo, parte esta que teria sido “tocada pelo diabo”; surras
violentas; estupros com objetos cortantes; decapitação
dos seios. A intenção
era torturar as vítimas até que assinassem confissões
preparadas pelos inquisitores. Geralmente, quem sustentava sua
inocência, acabava sendo queimada viva. Já as que confessavam,
tinham uma morte mais misericordiosa: eram estranguladas antes de
serem queimadas. Em alguns países, como Alemanha e França,
eram usadas madeiras verdes nas fogueiras para prorrogar o
sofrimento das vítimas. E, na Itália e Espanha, as bruxas eram
sempre queimadas vivas. Os
postos de caçadores de
bruxas e informantes eram financeiramente muito rentáveis. Estes,
eram pagos pelo Tribunal por condenação
ocorrida e os bens dos condenados eram todos confiscados.
O
fim da “caça
às bruxas” ocorreu somente no século XVIII, sendo que a última
fogueira foi acesa em 1782, na Suíça. Porém, a Lei da Igreja
Católica que fundou os “Tribunais da Inquisição”,
permaneceu em vigor até meados do século XX. A
“caça às bruxas”
foi, sem dúvida, um processo bem organizado, financiado e
realizado conjuntamente pela Igreja e o Estado.[2]
2.
O feminismo e o resgate da imagem das bruxas
Diante
de tantas mortes de mulheres acusadas por bruxaria durante este
período, podemos afirmar que o ocorrido se tratou de um
verdadeiro genocídio contra o sexo feminino, com a finalidade de
manter o poder da Igreja e punir as mulheres que ousavam
manifestar seus conhecimentos médicos, políticos ou religiosos.
Existem registros de que, em algumas regiões
da Europa a bruxaria era compreendida como uma revolta de
camponeses conduzida pelas mulheres (EHRENREICH & ENGLISH,
1984: 12). Nesse contexto político, pode-se citar a camponesa
Joana D`arc, que aos 17 anos, em 1429, comandou o exército francês,
lutando contra a ocupação inglesa. Esta acabou sendo julgada como feiticeira e herege
pela Inquisição e queimada
na fogueira antes de completar 20 anos. Diante disso,
configurava-se a clara intenção
da classe dominante em conter um avanço
da atuação destas
mulheres e em acabar com seu poder na sociedade, a tal ponto que
se utilizava meios de simplesmente exterminá-las.
O
feminismo busca resgatar a verdadeira imagem das bruxas em nossa
história, analisando não
somente os aspectos religiosos, mas também políticos e sociais
que envolveram a “caça às bruxas” na
Idade Média. No olhar feminista, as bruxas, através de seus
conhecimentos medicinais e sua atuação
em suas comunidades, exerciam um contra-poder, afrontando o
patriarcado e, principalmente, o poder da Igreja. Em verdade, elas
nada mais foram do que vítimas do patriarcado (ALAMBERT, Ano II,
n° 48: 7). Atualmente, as mulheres ainda continuam sendo
discriminadas e duramente criticadas por lutarem pela igualdade de
gênero e a divisão do
poder social e econômico, que ainda é predominantemente
masculino, continuando vítimas do patriarcado. Por isto, as
bruxas representam para o movimento feminista não
somente resistência,
força, coragem, mas também a
rebeldia na busca de novos horizontes emancipadores.
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A IGREJA E A CAÇA ÀS BRUXAS
Desde
os primórdios da história da Igreja, quando se duvidava até mesmo que
as mulheres tivessem alma, elas foram consideradas inferiores aos
homens, em todos os aspectos. Não só eram tidas como intrinsecamente
pecadoras, como também eram a maior, senão a única, causa dos pecados
dos homens. A Igreja ensinava que, ao ter pensamentos luxuriantes, os
homens estariam apenas reagindo à astúcia diabólica da mulher, que os
enfeitiçava para tal. Um exemplo extremo dessa atitude pode ser
encontrado na ideia da Igreja medieval de que uma mulher que fosse
estuprada não só seria responsabilizada por ter provocado o ato, como
também pela perdição da alma do estuprador, a quem ela teria que fazer
uma reparação no Dia do Juízo Final.
A Inquisição, criada de início para ser usada contra os cátaros, logo incorporou o novo papel de caçadora de “bruxas”, torturando e assassinando mulheres suspeitas, movimento ao qual os protestantes prontamente aderiram. Os primeiros julgamentos de bruxas aconteceram em Toulouse, sede da Inquisição anticátaros, e a última bruxa queimada pela Inquisição foi executada no Cantão de Glaris, na Suíça, em 1788 (pouco mais de duzentos anos).
Em 1487, dois padres dominicanos, Heinrich Kraemer e James Sprenger, publicaram o clássico Malleus Maleficarum (Martelo das Bruxas), que se tornaria o livro de cabeceira dos caçadores de bruxas europeus. Os autores fundamentaram as premissas do livro na bula Summis Desiderantes, emitida pelo Papa Inocêncio VIII em 1484, o principal documento papal sobre a bruxaria, que os agraciara com “poderes especiais” para combater a feitiçaria no norte da Alemanha.
O Martelo das Bruxas consistia numa espécie de manual de diagnóstico, dividindo-se em três partes: a primeira ensinava os juízes a reconhecer as bruxas em seus múltiplos disfarces e atitudes; a segunda expunha todos os tipos de malefícios, classificando-os e explicando-os; e a terceira regrava as formalidades para agir "legalmente" contra as bruxas, demonstrando como processá-las, inquiri-las, julgá-las e condená-las.
Era um guia passo a passo sobre como conduzir o julgamento de uma bruxa, desde a reunião de provas até o interrogatório, incluindo as técnicas de tortura. Para dar três exemplos apenas, mulheres que não choravam durante o julgamento eram automaticamente consideradas culpadas de bruxaria; se elas confessassem sua culpa, seriam executadas, e, se não o fizessem, seriam torturadas para fazê-lo. Outra técnica consistia em jogar a acusada em um poço: se ela se afogasse, seria inocente; se flutuasse, porém, confirmaria sua condição de bruxa e seria executada ou torturada antes para confessar.
O terror causado pela sexualidade das mulheres resultou em centenas de milhares de mortos, a maior parte mulheres, no decorrer de três séculos de julgamentos de feitiçaria. O processo de tortura era altamente sofisticado, e reunia uma vasta coleção de aparelhos e técnicas para causar dor mantendo a pessoa viva pelo tempo desejado. A tortura às acusadas envolvia a mutilação de seus seios e órgãos genitais, área de predileção dos torturadores, assim como abusos de qualquer espécie praticados pelos carrascos e os padres que lhes serviam de supervisores. Todo esse horror praticado por mais de três séculos levaria o autor americano R.E.L. Masters a escrever:
“Praticamente toda a culpa pelo horrível pesadelo que foi a caça às bruxas, e grande parte da culpa pelo envenenamento da vida sexual do Ocidente, devem ser imputadas à Igreja Católica Apostólica Romana”.
Atualmente, devido ao decrescimento de sua influência e poder, a interferência da Igreja na vida sexual do ocidente resume-se à aprovação do sexo unicamente para a procriação, à proibição do aborto em qualquer circunstância – mesmo no caso de engravidamento por estupro – e do controle da natalidade. A proibição do uso de preservativos contribui até hoje para a morte de milhares de pessoas - por doenças sexualmente transmissíveis - em países de menor desenvolvimento, como os países africanos. Entretanto, contraditoriamente e apesar de processos milionários, a Igreja romana mesmo hoje mostra-se lenta e leniente na punição dos padres abusadores de crianças.
A Inquisição, criada de início para ser usada contra os cátaros, logo incorporou o novo papel de caçadora de “bruxas”, torturando e assassinando mulheres suspeitas, movimento ao qual os protestantes prontamente aderiram. Os primeiros julgamentos de bruxas aconteceram em Toulouse, sede da Inquisição anticátaros, e a última bruxa queimada pela Inquisição foi executada no Cantão de Glaris, na Suíça, em 1788 (pouco mais de duzentos anos).
Em 1487, dois padres dominicanos, Heinrich Kraemer e James Sprenger, publicaram o clássico Malleus Maleficarum (Martelo das Bruxas), que se tornaria o livro de cabeceira dos caçadores de bruxas europeus. Os autores fundamentaram as premissas do livro na bula Summis Desiderantes, emitida pelo Papa Inocêncio VIII em 1484, o principal documento papal sobre a bruxaria, que os agraciara com “poderes especiais” para combater a feitiçaria no norte da Alemanha.
O Martelo das Bruxas consistia numa espécie de manual de diagnóstico, dividindo-se em três partes: a primeira ensinava os juízes a reconhecer as bruxas em seus múltiplos disfarces e atitudes; a segunda expunha todos os tipos de malefícios, classificando-os e explicando-os; e a terceira regrava as formalidades para agir "legalmente" contra as bruxas, demonstrando como processá-las, inquiri-las, julgá-las e condená-las.
Era um guia passo a passo sobre como conduzir o julgamento de uma bruxa, desde a reunião de provas até o interrogatório, incluindo as técnicas de tortura. Para dar três exemplos apenas, mulheres que não choravam durante o julgamento eram automaticamente consideradas culpadas de bruxaria; se elas confessassem sua culpa, seriam executadas, e, se não o fizessem, seriam torturadas para fazê-lo. Outra técnica consistia em jogar a acusada em um poço: se ela se afogasse, seria inocente; se flutuasse, porém, confirmaria sua condição de bruxa e seria executada ou torturada antes para confessar.
O terror causado pela sexualidade das mulheres resultou em centenas de milhares de mortos, a maior parte mulheres, no decorrer de três séculos de julgamentos de feitiçaria. O processo de tortura era altamente sofisticado, e reunia uma vasta coleção de aparelhos e técnicas para causar dor mantendo a pessoa viva pelo tempo desejado. A tortura às acusadas envolvia a mutilação de seus seios e órgãos genitais, área de predileção dos torturadores, assim como abusos de qualquer espécie praticados pelos carrascos e os padres que lhes serviam de supervisores. Todo esse horror praticado por mais de três séculos levaria o autor americano R.E.L. Masters a escrever:
“Praticamente toda a culpa pelo horrível pesadelo que foi a caça às bruxas, e grande parte da culpa pelo envenenamento da vida sexual do Ocidente, devem ser imputadas à Igreja Católica Apostólica Romana”.
Atualmente, devido ao decrescimento de sua influência e poder, a interferência da Igreja na vida sexual do ocidente resume-se à aprovação do sexo unicamente para a procriação, à proibição do aborto em qualquer circunstância – mesmo no caso de engravidamento por estupro – e do controle da natalidade. A proibição do uso de preservativos contribui até hoje para a morte de milhares de pessoas - por doenças sexualmente transmissíveis - em países de menor desenvolvimento, como os países africanos. Entretanto, contraditoriamente e apesar de processos milionários, a Igreja romana mesmo hoje mostra-se lenta e leniente na punição dos padres abusadores de crianças.
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Textos para o Juri Simulado do 8º ano
Ludismo
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O ludismo foi um movimento que ia contra a mecanização do trabalho proporcionado pelo advento da Revolução Industrial. Adaptado aos dias de hoje, o termo ludita (do inglês luddite)
identifica toda pessoa que se opõe à industrialização intensa ou a
novas tecnologias, geralmente vinculadas ao movimento operário anarcoprimitivista.
As reclamações contra as máquinas e a sua substituição em relação à mão-de-obra humana, já eram normais. Mas foi em 1811, na Inglaterra, que o movimento operário estourou, ganhando uma dimensão significativa.
O nome deriva de Ned Ludd,
personagem criada a fim de disseminar o ideal do movimento operário
entre os trabalhadores. Os luditas chamaram muita atenção pelos seus
atos. Invadiram fábricas e destruíram máquinas, que, segundo os luditas,
por serem mais eficientes que os homens, tiravam seus trabalhos,
requerendo, contudo, movimentos operários e duras horas de jornada de
trabalho. Os luditas ficaram lembrados como "os quebradores de máquinas".
Para além de histórico, este termo representa também um conceito
político, usado para designar todos aqueles que se opôem ao
desenvolvimento tecnológico ou industrial. Estas pessoas são também
chamadas de "luddites", em inglês, ou "luditas", em português, e o
movimento social é hoje conhecido como o neoludismo. Um exemplo de um
autor que se identifica com esta designação é o Kirkpatrick Sale, que escreveu o livro "Rebels Against the Future" ou Movimento Operário.
Para o historiador Eric J. Hobsbawn. o ludismo "era uma mera
técnica de sindicalismo de operários no período que precedeu a revolução
industrial e as suas primeiras fases operáricas".
Índice
Como aconteceu
Desenho publicado em 1812 mostrando trabalhadores comandados pelo lendário general Ned Ludd destruindo uma tecelagem
O Movimento Ludista teve o seu momento culminante no assalto noturno à manufatura de William Cartwright, no condado de York, em Abril de 1812.
No ano seguinte, na mesma cidade, teve lugar o maior processo contra os
ludistas: dos 64 acusados de terem atentado contra a manufatura de
Cartwright, 13 foram condenados à morte
e 2 a deportação para as colônias. Apesar da dureza das penas, o certo é
que o movimento ludista não amainou, dado que os operários viviam em
péssimas condições.
Repressão e declínio
O Ludismo enquanto prática de destruição de máquinas passou a ser
cada vez mais hostilizado pelo patronato que recorreram aos parlamentos,
visando a criação de leis mais severas para punir os envolvidos em
revoltas. O Reino Unido que já possuía em sua legislação uma lei datada de 1721 que definia o exílio como pena máxima para a destruição de máquinas, em 1812 como resultado da oposição contínua a mecanização adotou o Frame-Breaking Act definindo a pena de morte para casos de destruição de máquinas.
A perseguição aos ludistas tornou-se implacável, com centenas de
pessoas sendo presas e torturadas, dezenas de executados, industrial e a
criação das primeiras trade unions (sindicatos)
tornaram-se outros limitantes para o alcance e as possibilidades das
revoltas ludistas, fazendo com que o ludismo entrasse em declínio em
meados do século XIX.
Repercussão no mundo
O ludismo não foi um fenômeno exclusivamente inglês, tendo-se registrado movimentos semelhantes na Bélgica, na Renânia, na Suíça e na Silésia.
Terminologia
Pode-se encontrar os termos com as seguintes variações:
- Ludistas, luditas, luddistas (grafado assim com dois "d" na 5ª edição do VOLP)
Ver também
Ligações externas
Charges e documentos da época
Bibliografia
Ary Hercolendes da Cunha, em seu livro "As Diferentes Organizações na História Européia".
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As condições da classe operária à época da Revolução Industrial
13/11/2009 - 07:03 | Maria Izabel Mazini do Carmo
A Inglaterra, de fins do século
XVIII a meados do século XIX, viveu um período conturbado. Foi o período
do crescimento das cidades e da população urbana, construção de
inúmeras ferrovias, aparecimento de fábricas e das classes sociais da
época capitalista: a burguesia, detentora dos meios de produção, e o
proletariado, cuja força de trabalho era explorada. Eram os anos da
Revolução Industrial.
A base da mentalidade dos burgueses de tal época era a exploração máxima da classe trabalhadora – o proletariado – de maneira que pudessem garantir o lucro e manter a massa operária dependente. E esta, na maioria, era oriunda dos cercamentos dos campos realizados na Inglaterra e que forçaram a população rural a trabalhar em meios alternativos no próprio campo ou a migrar para as cidades em busca de empregos – principalmente nas minas de carvão ou nas primeiras fábricas, sobretudo as têxteis, de alimentos, bebidas, cerâmica e outros demais produtos que visavam o nascente mercado consumidor urbano.
Os trabalhadores, submetidos a esta nova ordem, muito sofreram em busca de melhorias de vida que nunca chegavam, devido ao salário extremamente baixo. Acabavam, assim, realizando seus serviços pela própria subsistência, sob péssimas condições de trabalho, em jornadas extremamente longas – às vezes de 16 horas diárias – trabalhando até o limite das forças e, não raro, tidos por negligentes e insubordinados pelos seus empregadores, ainda que tal se desse pela exaustão física. Ademais, tiveram que aprender a trabalhar de maneira regular e ininterrupta, de forma que o trabalho rendesse. Além disso, utilizavam meios de produção que não lhes pertenciam e geravam excedentes que, da mesma forma, nunca iriam lhes pertencer, com a única finalidade de produzir o lucro para os burgueses. Esses patrões os utilizariam para continuar a financiar a industrialização, ou seja, enriquecendo frente ao contínuo empobrecimento dos proletários, o que levava os segundos à insatisfação, muitas vezes ocasionando conflitos. Vemos assim que o proletário era alienado do seu trabalho, pois além de não saber qual era o fim da sua produção, não podia usufruir o produto que era destinado a outros.
Importante ressaltar a preferência de certos burgueses pela utilização em larga escala da mão-de-obra considerada mais “dócil” e – claro – mais barata, como as mulheres (principalmente para a tecelagem), crianças e rapazes abaixo dos 18 anos de idade, o que levava ao desemprego dos homens adultos.
Dessa forma, a miséria e a fome não tardaram a aparecer, assim como doenças como a cólera e o tifo nas humildes regiões habitacionais, devido às péssimas condições de higiene, escassez do fornecimento de água e pelo fato de não terem como se protegerem do frio. Tal quadro levou à morte inúmeros trabalhadores pobres.
A triste realidade da classe trabalhadora não se restringiu à população urbana. Da mesma forma, os camponeses, desprovidos de terra ou assentados em terrenos inférteis, também sofriam com a fome.
Apesar disso, a classe dominante manteve-se insensível a tal realidade, preferindo ignorar os problemas sociais, pois não se sentia diretamente atingida por eles. Era mais cômodo e fácil fingir que nada via e tratar seus empregados como se não fossem seres humanos.
A cidade se expandia e as habitações populares passaram a crescer ao redor delas causando um ambiente pouco atrativo e um empobrecimento das cidades fabris. F. Engels, em sua obra “A condição da classe trabalhadora na Inglaterra” [1] diz: “Um dia andei por Manchester com um destes cavalheiros da classe média. Falei-lhes das desgraçadas favelas insalubres e chamei-lhe a atenção para a repulsiva condição daquela parte da cidade em que moravam os trabalhadores fabris. Declarei nunca ter visto uma cidade tão mal construída em minha vida. Ele ouviu-me pacientemente e na esquina da rua onde nos separamos comentou: ‘E ainda assim, ganham-se fortunas aqui. Bom dia, senhor!’”.
Uma parte do operariado, acreditando na mensagem ideológica da burguesia de que quanto mais se trabalhasse, mais ganharia, não desistia e labutava dia após dia. Porém, muitos outros, desiludidos e desmoralizados pela extrema exploração e o constante empobrecimento, caíam no alcoolismo, demência, suicídio e as mulheres, na prostituição ou – em muitos outros casos –, buscavam refugiar-se na promiscuidade.
No entanto, parte desse contingente de miseráveis via a saída na rebelião, na revolta, revolução. Fizeram greves, revoltas armadas ou não, rebeliões e – muito importante – formaram os sindicatos - as trade unions, visando a sua segurança, melhoria das condições de trabalho e o fortalecimento da luta operária. Indispensável ressaltar que, quando tomam consciência do seu papel na sociedade, reconhecessem-se como agentes sociais e transformadores, ou seja, não seria mais ou “pobre” enfrentando o “rico”, e sim a classe operária explorada e consciente enfrentando o seu explorador, responsável pela sua miséria e desgraça, o burguês capitalista.
CRONOLOGIA:
A canção dos tecelões de Lyon (França), citada por Eric Hobsbawn em sua obra A Era das Revoluções:
“Pour gouverner il faut avoir
Manteaux ou ruban em sautoir (bis)
Nous em tissons pour vous, grands de la terre,
Et nous, pauvres canuts, sans drap on nous enterre.
C’est nous les canuts
Nous sommes tout nus. (bis)
Mais notre règne arrivera
Quand votre règne finira.
Alors nous tisserons lê linceul du vieux monde
Car on entend dèjá la revolte qui gronde.
C’est nous les canuts
Nous n’irons plus nus.”
“Para governar é preciso ter
Mantos ou condecorações em brasões
Nósos tecemos para vós, grandes da terra,
E nós, pobres operários, sem roupa, somos enterrarrados.
Somos nós os canuts ( operários)
Nós estamos nus.
Porém, quando chegar nosso reino
Quando vosso reino terminar
Então nós teceremos a mortalha do velho mundo
Porque já se percebe a revolta que troa
Somos nós os canuts ( operários)
Não estaremos mais nus.”
Reflexão de A. de Toqueville, extraída da obra A Era das Revoluções de Eric J. Hobsbawn:
“Desta vala imunda a maior corrente da indústria humana flui para fertilizar o mundo todo. Deste esgoto imundo jorra o ouro puro. Aqui a humanidade atinge o seu mais completo desenvolvimento e sua maior brutalidade, aqui a civilização faz milagres e o homem civilizado torna-se quase um selvagem.” – A. de Toqueville a respeito de Manchester.(TOQUEVILLE, A. de, Journeys to England and Ireland, ed. Mayer, 1958, p. 107-8.)
Entrevista realizada com o pai de duas meninas menores de idade à época:
“1. Pergunta: A que horas vão as menores à fábrica?
Resposta: Durante seis semanas foram às três horas da manhã e voltaram às dez horas da noite.
2. Pergunta: Quais os intervalos concedidos durante as dezenove horas, para descansar ou comer?
Resposta: Quinze minutos para o desjejum, meia hora para o almoço e quinze minutos para beber.
3. Pergunta: Tinha muita dificuldade para despertar suas filhas?
Resposta: Sim. A princípio, tínhamos que sacudi-las para despertá-las e se levantarem, bem como vestirem-se antes ir ao trabalho.
4. Pergunta: Quanto tempo dormiam?
Resposta: Nunca se deitavam antes das onze horas, depois de lhes dar algo que comer, e então, minha mulher passava toda a noite em vigília ante o temor de não despertá-las na hora certa.
5. Pergunta: A que horas eram despertadas?
Resposta: Geralmente, minha mulher e eu nos levantávamos às duas horas da manhã para vesti-las.
6. Pergunta: Então, somente tinham quatro horas de repouso?
Resposta: Escassamente quatro.
7. Pergunta: Quanto tempo durou essa situação?
Resposta: Umas seis semanas.
8. Pergunta: Trabalhavam desde as seis horas da manhã até às oito e meia da noite?
Resposta: Sim, é isso.
9. Pergunta: As menores estavam cansadas com esse regime?
Reposta: Sim, muito. Mais de uma vez ficaram adormecidas com a boca aberta. Era preciso sacudi-las para que comessem.
10. Pergunta: Suas filhas sofreram acidentes?
Resposta: Sim, a maior, a primeira vez que foi trabalhar, prendeu o dedo em uma engrenagem e esteve cinco semanas no hospital de Leeds.
11. Pergunta: Recebeu o salário durante esse tempo?
Resposta: Não, desde o momento do acidente, cessou o salário.
12. Pergunta: Suas filhas foram remuneradas?
Resposta: Sim, ambas.
13. Pergunta: Qual era o salário em semana normal?
Resposta: Três shillings por semana, cada uma.
14. Pergunta: E quando faziam horas suplementares?
Resposta: Três shillings e sete pences e meio.”. (NASCIMENTO, Amauri Mascaro, “A indignação do trabalho subordinado”, IN: Curso de Direito do Trabalho, Saraiva, São Paulo,1992, pág. 11-12.)
SUGESTÕES DE FILMES:
A base da mentalidade dos burgueses de tal época era a exploração máxima da classe trabalhadora – o proletariado – de maneira que pudessem garantir o lucro e manter a massa operária dependente. E esta, na maioria, era oriunda dos cercamentos dos campos realizados na Inglaterra e que forçaram a população rural a trabalhar em meios alternativos no próprio campo ou a migrar para as cidades em busca de empregos – principalmente nas minas de carvão ou nas primeiras fábricas, sobretudo as têxteis, de alimentos, bebidas, cerâmica e outros demais produtos que visavam o nascente mercado consumidor urbano.
Os trabalhadores, submetidos a esta nova ordem, muito sofreram em busca de melhorias de vida que nunca chegavam, devido ao salário extremamente baixo. Acabavam, assim, realizando seus serviços pela própria subsistência, sob péssimas condições de trabalho, em jornadas extremamente longas – às vezes de 16 horas diárias – trabalhando até o limite das forças e, não raro, tidos por negligentes e insubordinados pelos seus empregadores, ainda que tal se desse pela exaustão física. Ademais, tiveram que aprender a trabalhar de maneira regular e ininterrupta, de forma que o trabalho rendesse. Além disso, utilizavam meios de produção que não lhes pertenciam e geravam excedentes que, da mesma forma, nunca iriam lhes pertencer, com a única finalidade de produzir o lucro para os burgueses. Esses patrões os utilizariam para continuar a financiar a industrialização, ou seja, enriquecendo frente ao contínuo empobrecimento dos proletários, o que levava os segundos à insatisfação, muitas vezes ocasionando conflitos. Vemos assim que o proletário era alienado do seu trabalho, pois além de não saber qual era o fim da sua produção, não podia usufruir o produto que era destinado a outros.
Importante ressaltar a preferência de certos burgueses pela utilização em larga escala da mão-de-obra considerada mais “dócil” e – claro – mais barata, como as mulheres (principalmente para a tecelagem), crianças e rapazes abaixo dos 18 anos de idade, o que levava ao desemprego dos homens adultos.
Dessa forma, a miséria e a fome não tardaram a aparecer, assim como doenças como a cólera e o tifo nas humildes regiões habitacionais, devido às péssimas condições de higiene, escassez do fornecimento de água e pelo fato de não terem como se protegerem do frio. Tal quadro levou à morte inúmeros trabalhadores pobres.
A triste realidade da classe trabalhadora não se restringiu à população urbana. Da mesma forma, os camponeses, desprovidos de terra ou assentados em terrenos inférteis, também sofriam com a fome.
Apesar disso, a classe dominante manteve-se insensível a tal realidade, preferindo ignorar os problemas sociais, pois não se sentia diretamente atingida por eles. Era mais cômodo e fácil fingir que nada via e tratar seus empregados como se não fossem seres humanos.
A cidade se expandia e as habitações populares passaram a crescer ao redor delas causando um ambiente pouco atrativo e um empobrecimento das cidades fabris. F. Engels, em sua obra “A condição da classe trabalhadora na Inglaterra” [1] diz: “Um dia andei por Manchester com um destes cavalheiros da classe média. Falei-lhes das desgraçadas favelas insalubres e chamei-lhe a atenção para a repulsiva condição daquela parte da cidade em que moravam os trabalhadores fabris. Declarei nunca ter visto uma cidade tão mal construída em minha vida. Ele ouviu-me pacientemente e na esquina da rua onde nos separamos comentou: ‘E ainda assim, ganham-se fortunas aqui. Bom dia, senhor!’”.
Uma parte do operariado, acreditando na mensagem ideológica da burguesia de que quanto mais se trabalhasse, mais ganharia, não desistia e labutava dia após dia. Porém, muitos outros, desiludidos e desmoralizados pela extrema exploração e o constante empobrecimento, caíam no alcoolismo, demência, suicídio e as mulheres, na prostituição ou – em muitos outros casos –, buscavam refugiar-se na promiscuidade.
No entanto, parte desse contingente de miseráveis via a saída na rebelião, na revolta, revolução. Fizeram greves, revoltas armadas ou não, rebeliões e – muito importante – formaram os sindicatos - as trade unions, visando a sua segurança, melhoria das condições de trabalho e o fortalecimento da luta operária. Indispensável ressaltar que, quando tomam consciência do seu papel na sociedade, reconhecessem-se como agentes sociais e transformadores, ou seja, não seria mais ou “pobre” enfrentando o “rico”, e sim a classe operária explorada e consciente enfrentando o seu explorador, responsável pela sua miséria e desgraça, o burguês capitalista.
CRONOLOGIA:
- 1780: Início do processo de industrialização na Grã-Bretanha.
- 1789: Inicia-se a Revolução Francesa
- Entre 1789 e 1848: Europa e América inundadas por especialistas, máquinas a vapor e maquinarias para algodão e investimentos britânicos,
- Década de 1830: As artes e literatura passam a abordar a questão da Revolução Industrial e a ascensão da sociedade capitalista.
- A partir da década de 1840: A classe operária, com acesso às obras socialistas como, por exemplo, O manifesto comunista, passa a se rebelar mais intensamente.
- 1848: Revoluções de cunho socialista mudam o conceito de revolução de liberalismo para socialismo.
A canção dos tecelões de Lyon (França), citada por Eric Hobsbawn em sua obra A Era das Revoluções:
“Pour gouverner il faut avoir
Manteaux ou ruban em sautoir (bis)
Nous em tissons pour vous, grands de la terre,
Et nous, pauvres canuts, sans drap on nous enterre.
C’est nous les canuts
Nous sommes tout nus. (bis)
Mais notre règne arrivera
Quand votre règne finira.
Alors nous tisserons lê linceul du vieux monde
Car on entend dèjá la revolte qui gronde.
C’est nous les canuts
Nous n’irons plus nus.”
“Para governar é preciso ter
Mantos ou condecorações em brasões
Nósos tecemos para vós, grandes da terra,
E nós, pobres operários, sem roupa, somos enterrarrados.
Somos nós os canuts ( operários)
Nós estamos nus.
Porém, quando chegar nosso reino
Quando vosso reino terminar
Então nós teceremos a mortalha do velho mundo
Porque já se percebe a revolta que troa
Somos nós os canuts ( operários)
Não estaremos mais nus.”
Reflexão de A. de Toqueville, extraída da obra A Era das Revoluções de Eric J. Hobsbawn:
“Desta vala imunda a maior corrente da indústria humana flui para fertilizar o mundo todo. Deste esgoto imundo jorra o ouro puro. Aqui a humanidade atinge o seu mais completo desenvolvimento e sua maior brutalidade, aqui a civilização faz milagres e o homem civilizado torna-se quase um selvagem.” – A. de Toqueville a respeito de Manchester.(TOQUEVILLE, A. de, Journeys to England and Ireland, ed. Mayer, 1958, p. 107-8.)
Entrevista realizada com o pai de duas meninas menores de idade à época:
“1. Pergunta: A que horas vão as menores à fábrica?
Resposta: Durante seis semanas foram às três horas da manhã e voltaram às dez horas da noite.
2. Pergunta: Quais os intervalos concedidos durante as dezenove horas, para descansar ou comer?
Resposta: Quinze minutos para o desjejum, meia hora para o almoço e quinze minutos para beber.
3. Pergunta: Tinha muita dificuldade para despertar suas filhas?
Resposta: Sim. A princípio, tínhamos que sacudi-las para despertá-las e se levantarem, bem como vestirem-se antes ir ao trabalho.
4. Pergunta: Quanto tempo dormiam?
Resposta: Nunca se deitavam antes das onze horas, depois de lhes dar algo que comer, e então, minha mulher passava toda a noite em vigília ante o temor de não despertá-las na hora certa.
5. Pergunta: A que horas eram despertadas?
Resposta: Geralmente, minha mulher e eu nos levantávamos às duas horas da manhã para vesti-las.
6. Pergunta: Então, somente tinham quatro horas de repouso?
Resposta: Escassamente quatro.
7. Pergunta: Quanto tempo durou essa situação?
Resposta: Umas seis semanas.
8. Pergunta: Trabalhavam desde as seis horas da manhã até às oito e meia da noite?
Resposta: Sim, é isso.
9. Pergunta: As menores estavam cansadas com esse regime?
Reposta: Sim, muito. Mais de uma vez ficaram adormecidas com a boca aberta. Era preciso sacudi-las para que comessem.
10. Pergunta: Suas filhas sofreram acidentes?
Resposta: Sim, a maior, a primeira vez que foi trabalhar, prendeu o dedo em uma engrenagem e esteve cinco semanas no hospital de Leeds.
11. Pergunta: Recebeu o salário durante esse tempo?
Resposta: Não, desde o momento do acidente, cessou o salário.
12. Pergunta: Suas filhas foram remuneradas?
Resposta: Sim, ambas.
13. Pergunta: Qual era o salário em semana normal?
Resposta: Três shillings por semana, cada uma.
14. Pergunta: E quando faziam horas suplementares?
Resposta: Três shillings e sete pences e meio.”. (NASCIMENTO, Amauri Mascaro, “A indignação do trabalho subordinado”, IN: Curso de Direito do Trabalho, Saraiva, São Paulo,1992, pág. 11-12.)
SUGESTÕES DE FILMES:
- Germinal – retrata a situação dos trabalhadores das minas de carvão na França.
- Tempos Modernos – situando-se num período um pouco mais à frente, Charlie Chaplin retrata a produção em série do trabalho nas fábricas.
- RODRIGUES, Antonio Edmilson Martins, “As Revoluções Burguesas”, IN: O século XX – O tempo das incertezas – Da formação do capitalismo à Primeira Grande Guerra, FILHO, Daniel Aarão Reis, FERREIRA, Jorge, ZENHA, Celeste (org.), Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2000.
- DOWBOR, Ladislau, “Acumulação do capital”, IN: O que é CAPITAL, Abril Cultural / Brasiliense, São Paulo, 1985, Coleção Primeiros Passos.
- ANTUNES, Ricardo L. C., “O advento do capitalismo e o papel dos sindicatos” e “O nascimento do sindicalismo e das lutas operárias: os trade-unions”, IN: O que é SINDICALISMO, Abril Cultural / Brasiliense, São Paulo, 1985, Coleção Primeiros Passos.
- HOBSBAWN, Eric J., “A Revolução Industrial”, “A carreira aberta ao talento” e “Os trabalhadores pobres”, IN: A Era das Revoluções: 1789 – 1848.”, Paz e Terra, São Paulo, 2005.
- CODO, Wanderley. “O que é alienação”, IN: O que é ALIENAÇÃO, Nova Cultural / Brasiliense, São Paulo, 1986, Coleção Primeiros Passos.
- DICIONÁRIO DO PENSAMENTO MARXISTA, BOTTOMORE, Tom (editor), Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 1983
- THOMPSON, E. P. “Plantando a árvore da liberdade”, IN: A formação da classe operária inglesa – A árvore da liberdade, Paz e Terra, São Paulo, 2004, Volume 1.
- GIDDENS, Anthony, “As obras da Juventude Marx”, IN: Capitalismo e Moderna Teoria, Presença, Lisboa, 1994.
- NASCIMENTO, Amauri Mascaro, “A indignação do trabalho subordinado”, IN: Curso de Direito do Trabalho, Saraiva, São Paulo,1992.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
júri simulado
Car@s alun@s,
segue um roteiro da atividade júri simulado que será realizada por aquel@as que ficaram em
recuperação.
O tema dos 7º anos
será: Culpadas ou inocentes, mulheres queimadas na idade média, acusadas de
bruxaria.
O tema dos 8º ano
será: Culpados ou inocentes, operários acusados de baderna e vandalismo no
inicio da revolução industrial.
O tema do 9º ano
será: Golpe de 1964. Defesa do Brasil contra o comunismo ou golpe das elites
contra a democracia para evitar a distribuição de renda.
Como fazer um júri
simulado
Júri simulado, como o nome diz, é a simulação de um
tribunal judiciário, em que os participantes têm funções predeterminadas.
Formam-se três grupos: dois grupos de debatedores (com
mesmo número de pessoas) e uma equipe responsável pelo veredicto (o júri
popular - com um número menor de componentes, entre três e seis alunos, de uma
sala com 30, por exemplo).
O papel do professor é o de coordenar a prática,
delimitando o tempo para cada grupo defender sua tese e atacar a tese defendida
pelo grupo oponente.
O processo inicia-se com o lançamento do tema proposto
pelo professor.
O tema dos 7º anos
será: Culpadas ou inocentes, mulheres queimadas na idade média, acusadas de
bruxaria.
O tema dos 8º ano
será: Culpados ou inocentes, operários acusados de baderna e vandalismo no
inicio da revolução industrial.
O tema do 9º ano
será: Golpe de 1964. Defesa do Brasil contra o comunismo ou golpe das elites
contra a democracia para evitar a distribuição de renda.
Os alunos se preparam previamente para defender o tema
com argumentos convincentes. Dar um tempo inicial para que os alunos socializem
suas informações no grupo, antes do início do debate. A partir daí, cada grupo
lança a sua tese inicial, defendendo seu ponto de vista na medida em que surjam
réplicas e tréplicas.
O professor, como coordenador da atividade, também pode
lançar perguntas que motivem o debate, evitando fornecer respostas ou apoiar
alguma das posições.
Por fim, cada grupo tem um tempo para suas considerações
finais.
O júri popular, então, reúne-se para socializar seus
apontamentos, feitos ao longo da atividade, e decretar o veredicto.
Etapas do júri
simulado
Tempo (aula de 60 min)
Socializar as
ideias nos grupos - 10 min
Defesa da tese
inicial - 10 min (5 min para cada grupo)
Debate entre
grupos - 20 min
Considerações
finais - 10 min (5 min para cada grupo)
Veredicto - 5
min
Objetivos
Estudar e
debater um tema, levando todos os participantes do grupo a se envolver e tomar
uma posição.
Exercitar a
expressão e o raciocínio.
Desenvolver o
senso crítico.
Funções dos
participantes
Juiz: Dirige e coordena o andamento do júri.
Advogado de acusação: Formula as acusações contra o réu
ou ré.
Advogado de defesa: Defende o réu ou ré e responde às
acusações formuladas pelo advogado de acusação.
Testemunhas: Falam a favor ou contra o réu ou ré, de
acordo com o que tiver sido combinado, pondo em evidência as contradições e
enfatizando os argumentos fundamentais.
Corpo de Jurados: Ouve todo o processo e a seguir vota:
Culpado ou inocente, definindo a pena. A quantidade do corpo de jurados deve
ser constituído por número ímpar (3, 5 ou 7).
Público: Dividido em dois grupos da defesa e da acusação,
ajudam seus advogados a preparar os argumentos para acusação ou defesa. Durante
o juri, acompanham em silêncio.
Passos
Coordenador
apresenta o assunto e a questão a ser trabalhada.
Orientação para
os participantes.
Preparação para
o júri.
Juiz abre a
sessão.
Advogado de
acusação (promotor) acusa o réu ou ré (a questão em pauta).
Advogado de
defesa defende o réu ou a ré.
Advogado de
acusação toma a palavra e continua a acusação.
Intervenção de
testemunhas, uma de acusação.
Advogado de
defesa, retoma a defesa.
Intervenção da
testemunha de defesa.
Jurados decidem
a sentença, junto com o juiz.
O público
avalia o debate entre os advogados, destacando o que foi bom, o que faltou.
Leitura e
justificativa da sentença pelo juiz.
Avaliação
Que proveito
tiramos da dinâmica?
O que mais nos
agradou?
Como nos
sentimos?
O que podemos
melhorar?
Giélia Silva Macedo Assistente Social e professora de
Sociologia no Colégio Modelo, Itapetinga-BA. gieliasm@bol.com.br
Fonte: site do Jornal Mundo Jovem
http://www.mundojovem.com.br/dinamicas/como-fazer-um-juri-simulado
Acesso em 20 de janeiro de 2014
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