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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Anos “00” serão lembrados por orgânicos, divórcios e geração flex


Vimos surgir novos comportamentos sexuais e nos separarmos como quem muda a roupa – mas só se for de algodão sustentável

Marianne Piemonte, especial para o iG São Paulo | 29/11/2010 14:33

Foto: Guilherme Lara Campos/ Fotoarena

Se todo final de ano as pessoas fazem retrospectivas e balanços – e, claro, promessas para o novo ano –, imagine quantas considerações não podemos fazer sobre uma década inteira. O iG selecionou temas que marcaram os últimos dez anos e procurou especialistas para tentar entender o que passou e prever as tendências para os próximos dez. E encontrou boas e más notícias.

Entramos no século 21 mais magros, mas desandamos. Estudos dizem que se as taxas de obesidade não diminuírem, em dez anos teremos 30% da população com sobrepeso, índice idêntico ao dos EUA, nação que mais sofre com essa epidemia no mundo. Para piorar, ficamos 24% mais sedentários, o que segundo a coordenadora do laboratório de obesidade da Escola Paulista de Medicina, Ana Damaso, pode diminuir o tempo de vida de uma pessoa em até 8 anos.

Orgânicos: 30% de expansão ao ano na década, graças a consumidoras como Joana Curvo
Mas também ficamos mais orgânicos e sustentáveis. Produzimos e consumimos mais produtos sem agrotóxicos. Segundo a Federação Internacional de Agricultura Orgânica (IFOAM) o ritmo de crescimento desse setor deve permanecer em 30% ao ano. E contratamos personais tudo para nos ensinar a fazer ioga, comprar sapatos e levar os cachorros para passear.

Outra tendência foi a “geração flex”, de meninos e meninas que já começam a vida sexual com garotos e garotas do mesmo sexo. Segundo a sexóloga da USP, Carmita Abdo, isso não significa uma geração homossexual. “Quer dizer apenas que quem tem tendência deverá se descobrir mais cedo”, diz. Mas, para Regina Navarro, nossa colunista, a bissexualidade é sim outra tendência. Isso, e tantas outras coisas, só a próxima década poderá comprovar.

Orgânicos – O Brasil verde amadureceu
Todo sábado começa do mesmo jeito na casa da paulistana Joana Curvo. Ela escolhe uma de suas sacolas de feira, ou eco bags, liga para uma amiga e elas vão juntas à Feira de Orgânicos do Parque da Água Branca. Ali, ela conhece os produtores, os trata pelo nome e aprendeu que, quando chove muito, não deve levar folhas para casa, mas legumes e sempre os da estação. “Esse contato, além de gostoso, faz parte do que é viver organicamente”, conta.

Joana nem lembra quando essa filosofia entrou em sua vida, diz que nasceu assim: orgânica. Quando ela estava com seis anos, sua família foi morar na Itália, em Milão. Lá, seus pais se encantaram com orgânicos e biodinâmicos. Hoje, no Brasil, morando em seu apartamento nos Jardins (São Paulo), ela leva o mesmo estilo de vida que aprendeu desde menina. Recicla lixo, prefere transporte coletivo, usa cosméticos orgânicos (adora os de uma marca alemã porque ninguém é de ferro) e se trata com homeopatia sempre que possível.

Como Joana, cada vez mais brasileiros adotam uma vida orgânica. Segundo dados da Federação Internacional de Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM), esse setor cresce em média 30% ao ano no Brasil. Sendo que nos últimos anos dessa década, registrou-se um crescimento de vendas de 50%, superior aos países da Europa, que abraçaram esse sistema antes de nós.

Com esses números, o Brasil ocupa atualmente o 34o lugar no ranking dos países exportadores de produtos orgânicos. Estima-se que já são cultivados perto de 100 mil hectares em cerca de 4.500 fazendas ou cooperativas. Aproximadamente 70% da produção encontra-se nos estados do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo.

No entanto, o engenheiro agrícola Geraldo Deffune, fundador da Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica e um dos pioneiros na agricultura orgânica no país, vê com reservas a multiplicação de lojas que vendem artigos orgânicos nas grandes cidades. “Orgânicos não são só alimentos que não usam produtos químicos. Ser orgânico e sustentável é também interagir com produtores, preocupar-se com a saúde de quem os cultiva e assim por diante. Marketing não é orgânico”, diz. Deffune é um crítico de restaurante e empresas que usam o selo verde como bandeira, mas não atuam de fato como sustentáveis. “O Brasil é muito grande e é fato que cresceremos mais 30% ao ano na próxima década. Resta saber se essa sustentabilidade toda vai se sustentar”.

Personais tudo – Com que roupa, quantos abdominais ou com quem sair à noite?
Antes era só o analista. Você, ele e o divã. Havia também aulas de reforço do colégio ou de idiomas. Isso quando personal ainda era traduzido: chamava particular. Ao longo da última década, veio o personal trainner, shopper, stylist e até cachorros foram contemplados com personals walkers (mas pode chamar de passeador de cachorro, mesmo). Hoje, é possível começar o dia com um professor de ioga ensinando asanas só para você na sua sala, vestir-se para trabalhar com roupas que alguém comprou e definiu como “seu” estilo e terminar com uma personal sex trainner. Sim, você leu isso mesmo.

Segundo Luciana Saddi, psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise e autora do livro “Perpétuo-Socorro”, essa busca por serviços de qualidade nos remete a uma compartimentalização da vida. “Não acreditamos num simples saber surgindo de nossa experiência, recorremos aos especialistas, que nos tratam, na maioria das vezes, de forma infantilizada. Dizem o que e como devemos comer, transar, vestir e morrer”, diz.

Luciana acredita essa multiplicação de terapias individualizadas não quer dizer que estamos mais egoístas. Como estamos sempre ocupados com a vida nas metrópoles, ficamos sem tempo para cuidar dela. “Esta é uma oferta que cumpre as necessidades da sociedade de massa de consumo, que cria pessoas que agem e agem e agem, sem pensar”, diz. Para a especialista, essa é uma tendência. “Cada vez menos passearemos com nossos cachorros ou cuidaremos de nossos filhos”, acredita.

Divórcios – Ainda é possível ser feliz a dois?
Na última década, os números de divórcios bateram recordes atrás de recordes no Brasil, ano após ano. O único ano que isso não aconteceu foi em 2004, quando também não houve queda, apenas estabilização da taxa.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano passado foram registrados cerca de 188 mil divórcios no País, ou seja, para cada cinco casamentos há um divórcio. Quem faz parte dessa estatística é a agente de viagens Ângela Maria Nogues, 49. Depois de 25 anos de união, entre casamento e namoro, dois filhos e uma traição, ela resolveu se separar. “Não digo que foi fácil, mas hoje sei que o divórcio me fez um bem enorme”, diz.

“Não digo que foi fácil, mas sei que o divórcio me fez um bem enorme”, diz Ângela Maria Nogues
Para Nelson Sussumo Shikicima, presidente da comissão de direito da família da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), a descomplicação da lei dos divórcios, que hoje podem ser feitos nos cartórios, ajuda a elevar ainda mais essas taxas. “Agora você pode casar em um dia e se divorciar no outro, de forma mais barata e sem complicações de justiça”, diz. Mas faz uma ressalva: quem quiser se reconciliar terá que casar outra vez (para isso que antigamente servia o período de separação).

Entre 1984 e 2007, o aumento no número de divórcios foi de 200%. Outro dado importante, ainda é a mulher que costuma terminar o casamento: dos 188.098 pedidos de divorcio feitos no ano passado, 71,7% partiram delas. “Isso desmente que a mulher tenha o casamento como interesse”, diz Shicicima. Segunda ele, nada indica que essa tendência irá mudar.

Ângela conta que levou quatro anos para reestruturar a vida, mas fez amigos novos, aulas de dança e hoje namora um homem que a respeita e trata com carinho. O que ela acha do divórcio? “Uma benção. A vida já nos traz tantas preocupações, por que viver com quem não nos dá valor?”, questiona.

Experimentações sexuais – Depois da geração Y, conheça a geração flex
Se no começo dos anos 60 alguém dissesse que em 2010 seria tão fácil se divorciar quanto se casar, ou que as mulheres não subiriam virgens ao altar, essa pessoa provavelmente seria internada como louca. Por isso, quando a sexóloga Regina Navarro diz que a bissexualidade é uma tendência que deve predominar nas próximas décadas, é melhor não duvidar.

Não é novidade que os jovens iniciam a vida sexual hoje mais cedo, com cerca de 15 anos. Há uma década costumava ser por volta dos 17. O que mudou em 2010 foi o surgimento do que Carmita Abdo, coordenadora do programa de estudos do sexo da USP, chamou de “geração flex”. Meninos e meninas que iniciam a vida sexual com meninos e meninas do mesmo sexo.

Regina acha que as barreiras entre o que é masculino e feminino estão se dissolvendo. “Não há mais nada que interesse ao homem e que não interesse à mulher, e vice-versa”, diz. Com isso, a tendência é buscar no objeto amoroso características de personalidade que lhe agradam. O que não precisa estar necessariamente no sexo oposto. Para ela, isso tem acontecido principalmente com as meninas. “Não quer dizer que teremos um maior numero de lésbicas. Mas quem tiver tendência ao homossexualismo talvez se encontre mais cedo”, diz Carmita, que também é autora do livro “A Descoberta Sexual do Brasil”.

As duas especialistas concordam quando o assunto são os meninos. “Para eles ainda é muito mais difícil se liberar de estigmas da sociedade patriarcal, na qual ele é o forte, o que não chora e o que tem a homossexualidade ainda quase como doença”, diz Regina, autora do polêmico “A Cama na Varanda”.

No entanto, estudos recentes mostram que até entre os meninos há uma novidade que era inaceitável há dez anos. “Eles agora entendem a possibilidade de serem traídos; não que desejem, mas passam a compreender que se eles traem podem ser traídos”, conta Carmita. Parece que é o começo do fim da filosofia “joga pedra na Geni”. E mais um sinal de uma sociedade mais igual entre homens e mulheres.

Obesidade – O Brasil e a epidemia mundial
O Brasil tem hoje menos de 5% da população com déficit de peso. Essa é uma boa notícia. A má é que em dez anos duplicou o número de obesos entre crianças e adolescentes. Hoje, o sobrepeso atinge mais de 30% das crianças entre 5 e 9 anos, cerca de 20% da população entre 10 e 19 anos e 48% das mulheres e 50,1% dos homens acima de 20 anos. Segundo o Ministério da Saúde, mantido esse ritmo, em dez anos estaremos tão gordos quantos os americanos – nos EUA, 30% da população é obesa.


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A professora Ana Damaso é a responsável pelo grupo de estudos sobre obesidade da Escola Paulista de Medicina. Ela diz que a primeira coisa a se fazer contra essa epidemia é ter consciência de que obesidade é uma doença. A Organização Mundial da Saúde assim determinou em 1985. “Depois, é preciso ressaltar que a obesidade abrevia a vida das pessoas e diminui a qualidade desse tempo de vida”, diz.

Gordura no fígado, diabetes, problemas cardiovasculares, além de ansiedade e depressão são alguns dos problemas que os jovens obesos sofrem hoje. E não precisa ser profeta para diagnosticar, como Ana Damaso: “Jovens doentes serão adultos doentes”. Para a especialista, os brasileiros precisam comer menos alimentos industrializados, dormir bem e se exercitar mais para que esse quadro seja revertido.

Sedentarismo – Se movimentar é preciso
O Vigitel, um relatório anual feito pelo Ministério da Saúde, trouxe os mais recentes dados sobre a alimentação e atividade física no Brasil. “Observamos um predomínio de alimentos de alto teor de gordura e açúcar na mesa dos brasileiros e isso não é compensado com aumento de atividades físicas. Pelo contrario, as pessoas estão cada vez mais sedentárias”, diz Deborah Malta, coordenadora geral da pesquisa e responsável pelo setor de doenças e agravos não transmissíveis do Ministério da Saúde.

O relatório mostra que apenas 14,7% dos adultos fazem algum tipo de atividade física, o que segundo a Organização Mundial da Saúde significa 30 minutos, cinco vezes por semana. O número de sedentários hoje no Brasil soma 16,4% da população. Com isso, o relatório anuncia que o Brasil está 24% mais sedentário do que há cerca de dez anos.

“É um número assustador, se levarmos em consideração que uma pessoa sedentária diminui seu tempo de vida em até oito anos”, diz Ana Damaso, que coordena na Unifesp o grupo de estudos da obesidade. Ana acredita que para reverter esses números será preciso campanhas de conscientização e políticas públicas, principalmente nas grandes cidades. “Quem vive no interior ou na área rural do País ainda se movimenta mais, mas nas grandes cidades estamos cada vez mais enclausurados, o que aumenta esse desafio”. Independentemente de como for, a professora diz que a única solução é se exercitar. “Se combinados a obesidade com o sedentarismo podem diminuir em 15 anos a vida de um indivíduo”, diz.

Apesar de assustador, começar a malhar não tem relação direta com tortura ou longas sessões na esteira feito um hamster. “Dançar, jogar bola com os filhos, caminhar no quarteirão para ir à padaria ou trocar o elevador pelas escadas podem ser o início de uma vida mais saudável”. Soa até como uma promessa pessoal para a década que começa.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Pesquisa Escolar: sua importancia na vida do aluno e no seu mundo crítico

Pesquisa Escolar: sua importancia na vida do aluno e no seu mundo crítico

Autora: Solange Gomes da Fonseca


A pesquisa escolar constitui uma das principais atividades realizadas no processo de ensino e de aprendizagem, desde as series iniciais do ensino básico; propiciando a integração dos alunos/autores e, os ajudando no processo de aprendizagem e de busca aos temas selecionados para uma investigação.
Os acessos às ferramentas de pesquisa estimulam os alunos a ampliarem suas informações, desenvolvendo a curiosidade e o espírito critico e reflexivo aos seus próprios interesses nas investigações escolhidas. Isso, também facilita a apresentação da importancia de uma biblioteca escolar no processo metodológico da pesquisa.
É importante, a orientação dos professores e dos bibliotecários nas estratégias de busca para localização dos assuntos a serem desenvolvidos na realização do trabalho escolar.
Ao ser elaborada a pesquisa escolar, acabamos saídos de um cenário fechado da sala de aula e, vamos fomentar situações de aprendizagens, onde o aluno se vê forçado a procurar e selecionar informações e resolver problema independentemente. A sala de aula é uma relação antiga onde o conceito é: o professor "quem ensina" e o aluno "quem aprende", já bastante ultrapassado para as novas tecnologias e as novas demandas educacionais estabelecidas num processo de ensino e de aprendizagem.
Nos tempos atuais. Freire (1997), coloca bem sua opinião quando diz: “conhecer é descobrir e construir e não copiar"; de modo que, a pesquisa escolar será tão interessante aos educadores e aos alunos, tornando-se com o tempo uma pratica comum nas escolas e preparando os alunos para o processo de conhecimento e de busca por soluções para determinados assuntos e problemas. Enfim, a pesquisa escolar contribui para propiciar que o conceito espontaneo abra caminho para o conceito cientifico e este forneça estrutura para o desenvolvimento daquele, tornando-o consciente e deliberado.
O conceito de cidadania esta na efetividade que o individuo exerce sua função plena se for preparado para ter a capacidade de fazer as suas próprias escolhas. O que o Sistema Educacional Brasileiro necessita, são de um cenário onde os educadores e os alunos exerçam um papel ativo de "atores principais" e não de "coadjuvantes", em um placo onde os atos da realização da pesquisa escolar busquem novos paradigmas para uma sociedade.
Com o aparecimento da Internet, a pesquisa escolar tornou-se um tema que deve ser observado pelo professor como um elemento aliado ao objeto de crescimento na aprendizagem do aluno. Entretanto, a Internet é um universo de informações muito amplo, para isso, devemos conhecer as ferramentas com a orientação de professores treinados, para que possamos nortear a navegação em busca do conhecimento ao assunto desejado.
É função do professor lançar idéias e prever as etapas do trabalho pesquisado e, ter bem claro e definido o propósito da pesquisa, que será proposta aos seus alunos.
Para que alcançamos bons resultados, o professor tem que ter em mente a palavra/chave e sua melhor combinação para encontrar os resultados mais relevantes, respeitando os assuntos pesquisados.
Acreditamos assim, que pesquisar sobre algo é aumentar as possibilidades de conhecer, avançar e reinventar.Pois, somente podemos nos aprofundar sobre um determinado assunto, quando temos condições de defendê-lo ou refleti-lo. Não sendo, possível, opinar sem aprofundamento. Do contrário, passará de mera informação.
Entendemos que, pesquisar é ir a busca do assunto desejado, em outras situações de vida. É ter consciência que os assuntos se entrelaçam e cria novas formas de alguém resolver e desenvolver sua pesquisa.
Os alunos, em sua maioria, não buscam resposta para seus questionamentos acerca de diversos assuntos, quando estão resolvendo exercícios que necessitam de uma pesquisa dentro do texto, pois ficam desanimados e muitas vezes, desistem dessa busca ao “novo”.
A pesquisa escolar é necessária para os alunos, por ser um grande instrumento na construção do conhecimento, por isso se faz necessária, sempre que possível, que o professor mande algum tema para pesquisar relacionado com o conteúdo ensinado, a fim de contribuir na construção da aprendizagem.
É notório que, por meio da pesquisa escolar, o aluno tem possibilidade de descobrir um mundo diferente, coisas novas, curiosidades. Dessa forma, o professor tem a incumbência de gerenciar e orientar seus alunos na busca de novas informações. Além de atuar na orientação da construção de textos a partir do material da pesquisa, o professor deve ensinar como retirar as partes mais importantes de conteúdo pesquisado.
Outro ponto importante e esclarecedor pra os alunos é a relevancia que o educador deve abordar na conscientização de uma pesquisa, que ela não é mera cópia e sim uma síntese de construção textual, através de um conjunto de informações.
A etapa técnico/científico informacional que a humanidade esta atravessando e a ascensão dos meios de comunicação tem facilitado o acesso às informações, desse modo, podem ser usados como base de pesquisas escolares: livros, revistas, artigos científicos, documentários, entrevistas...
A pesquisa escolar não deve ter apenas um caráter de ocupar o aluno, de modo que o mesmo não fique sem fazer nada, mas, sim a finalidade de formar pessoas curiosas acerca do que possa no mundo, por meio dessa busca, o conhecimento que será construído pelo próprio aluno.
Ao incentivarmos nossos alunos a pesquisar, mostramos a importância da pesquisa, como elemento fundamental para despertar os alunos no sentido da pesquisa escolar e da necessidade do espírito de pesquisador.
Na escola a pesquisa é uma prática comum para professores e alunos. Tal ação, apesar de corriqueira no campo educacional, ainda suscita muitos questionamentos, principalmente no que se refere aos caminhos do eu desenvolvimento científico.
Nesta perspectiva, o texto busca iniciar uma reflexão sobre a importância de se fazer pesquisa escolar e a importância da presença do professor enquanto mediador deste processo. Para isso, apresentam-se dois espaços que podem potencializar o desenvolvimento da pesquisa escolar, são eles: a biblioteca e a Internet.
Para Paulo Freire (1996, p. 32), “não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que fazeres se encontram um corpo no outro. Enquanto ensino contínuo buscando, reprocurando... Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade”.
A proposta deste texto é um convite a uma reflexão sobre a forma de como a pesquisa escolar vem sendo trabalhada e como poderia ser construída, na área da educação.
A pesquisa escolar implica em leitura, onde o próprio leitor procura saber questionar o autor, interpretar seus argumentos centrais e refazê-los com suas mãos em prol da aprendizagem, que deve ser de total autonomia, a fim de aprender a estudar, desconstruindo argumentações dos autores e reconstruindo-os com suas próprias palavras.
O método de construir em pesquisa é algo que se aprende e não se cria, devido ao fato de eu o indivíduo manipulador de cópias é rapidamente identificado, porque segue um perfil totalmente alheio do método e se houver a oportunidade de discutir sobre o assunto, tenderá a utilizar argumentos insatisfatórios com palavras que não correspondem ao esperado, desvalorizando assim, todo seu projeto ou trabalho de pesquisa.
O objetivo central do texto é abordar a pesquisa escolar, como fonte de importância vital para o pensamento crítico do aluno, de forma mais abrangente, no qual a motivação torna-se uma prática constante para o aperfeiçoamento do aluno no processo de aprendizagem e a fundamental importância dentro de uma análise prática para o futuro pesquisador.
Concluo o texto com a reflexão do assunto da pesquisa escolar e da sua importância na vida e no mundo do aluno, para que ele possa com espírito crítico refletir sobre suas próprias aprendizagens e, assim aprender com sua própria experiência, com os ensaios, acertos e erros cometidos, incorporando as lições aprendidas e construindo um método próprio de aprender o caminho da pesquisa escolar e desenvolver sua habilidade para a vida cotidiana.

Fonte: http://www.overmundo.com.br/banco/pesquisa-escolar-sua-importancia-na-vida-do-aluno#-banco-43499

Dança pode prevenir e auxiliar no tratamento de doenças físicas e psicológicas

22/11/2010 - 07h00
Fonte: Portal Uol
Cristina Almeida
Especial para o UOL Ciência e Saúde

Movimentar o corpo ao som de uma música não é prerrogativa dos jovens, nem dos bailarinos profissionais. Cada corpo possui sua própria dança. E os gestos e ritmos cardíaco e biológico são um exemplo disso. Quando esses movimentos são orientados por meio de uma técnica denominada Dança Movimento Terapia (DMT), eles promovem a integração física, emocional, cognitiva e social, e ainda podem auxiliar no tratamento e prevenção da ansiedade, fibromialgia, depressão, estresse, distúrbios alimentares, mal de Parkinson e até câncer. Entre os idosos, ela também aprimora as funções físicas e cognitivas.

Todos esses benefícios têm sido observados por pesquisadores na última década, mas segundo a American Dance Therapy Association (ADTA), há mais de 50 anos a prática é pioneira no entendimento de como o corpo e a mente interagem na saúde e na doença. As sessões de DMT não são uma aula de dança onde se repetem coreografias. Trata-se de um prática guiada por terapeutas devidamente habilitados a estimular movimentos espontâneos. As sessões podem ser individuais ou em grupo, e a técnica utiliza música e admite o uso de brincadeiras e materiais que estimulem a criatividade.

Judith Esperanza, dançaterapeuta e naturopata, diretora do Centro de Formação Internacional em Dançaterapia (Cefid-DMT) , conta que esse recurso foi utilizado pela primeira vez em 1940, nos Estados Unidos. “O objetivo das bailarinas Marian Chace e Trudi Schoop era auxiliar na reabilitação de pacientes desprovidos das capacidades de comunicação e expressão”, diz.

Na América do Sul, a argentina Maria Fux não só adotou a técnica como incorporou novos conceitos em benefício de pessoas com todo tipo de deficiência. “O método é integrativo e não exclui ninguém”, fala Esperanza. “Para a DMT o fato de uma pessoa não poder levantar de uma cadeira, não significa que não possa dançar. Ela movimentará suas partes saudáveis, e é a partir desse potencial que a DMT trabalha. O dançar contempla o todo: braços, dedos, e até o olhar que se move”, explica.

Uma terapia para todos

Na Itália, a bailarina Elena Cerruto, diretora da Associação Sarabanda de Milão e autora do livro No ritmo do coração, dançaterapia entre oriente e ocidente (Phorte Editora), passou a se interessar pela DMT, e nela introduziu elementos da medicina oriental. “A técnica é ao mesmo tempo um tratamento e uma terapia”. “Na DMT prevalece a linguagem não verbal, mas o meu método também estimula a troca verbal. Por isso, introduzi no curso as psicologias ocidental, chinesa e a zen budista”, esclarece a especialista.

No Brasil, não é requisito ser bailarino para trabalhar com a DMT. Entretanto, o interessado deve frequentar um curso de três anos, que tem em seu currículo não só dança, mas também psicologia, musicoterapia, cinesiologia e outras disciplinas. As especialistas esclarecem que, para os praticantes, igualmente não é exigida habilidade física específica, pois a DMT é indicada não só para pessoas com necessidades especiais, mas também para todo adulto, jovem, criança ou idoso, sem limite de idade.

“O proveito psicológico é enorme, pois permite experimentar, expressar e valorizar as próprias potencialidades, muitas vezes superando situações internas que impediam uma vida plena”, afirma Cerruto. “No aspecto físico, o corpo atinge maior elasticidade e capacidade de movimento. Traumas, dores nas costas, contrações e cefaleias podem desaparecer por meio da nova consciência do próprio corpo”, completa.

Esperanza observa que não há contraindicações para a DMT, mas os praticantes devem estar atentos aos seus próprios limites, especialmente no início. “Com o passar do tempo, a escuta pessoal se aprimora, e já não há riscos de cometer excessos”, diz.

Corpo que enxerga

Para Elisabetta Vianello, 60 anos, a DMT trouxe melhora na qualidade de vida. Como há mais de quarenta anos perdeu a visão, a técnica trouxe alívio para as tensões físicas e psíquicas. “Eu me movo melhor no ambiente que me cerca, com simplicidade e certa desenvoltura, superando os limites e enxergando com o corpo”, relata. “Durante as sessões, sinto minha respiração viva e palpitante, especialmente nas zonas que estão sempre bloqueadas: o diafragma e o abdômen. O coração também bate de forma harmoniosa e a circulação melhora. Tudo isso me deixa mais serena”, completa.

Para o cardiologista e cirurgião Giovanni Ansaldi, membro da Sociedade Italiana de Medicina Psicossomática, o valor da DMT é que ela “estimula o movimento visando o bem-estar psicofísico de uma comunidade onde o sedentarismo é a regra”.

Cláudio Santili, professor do departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, e presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia (SBOT) concorda: “O mais importante da dança é a capacidade de colocar as pessoas em movimento, favorecendo o aparelho locomotor, a musculatura e os ossos”.

Porém, diferentemente de outras atividades como a ginástica ou alguma modalidade esportiva, acrescenta Ansaldi, “A DMT promove a consciência do corpo e, por meio do movimento, um contato mais profundo consigo mesmo”. “Os benefícios físicos para o aparelho cardiorrespiratório e muscular juntam-se aos psicológicos, não menos importantes”, diz. Os especialistas falam que o tempo de espera para usufruir dessa melhora dependerá de cada pessoa, mas em média, após dois meses, já se notará alguma evolução, que tende a crescer ao longo da prática.

Função analgésica

Observando a DMT de perto, o médico italiano verificou que ela também pode ser útil para aqueles pessoas que se sentem traídas pelo próprio físico, por achar que ele não atende aos modelos da moda. “Com a DMT, o corpo passa a ser usado ao invés de rejeitado. Além disso, ele é vivenciado numa dimensão comunicativa e criativa”. E acrescenta: “do ponto de vista estritamente orgânico, a DMT figura entre as terapias de maior função analgésica. Como os movimentos não são obrigatórios, nem predeterminados, a pessoa assume de forma solta e consciente, aqueles que melhor se prestam à liberação das tensões”.

Entre os idosos que perderam a mobilidade, relata Esperanza, a experiência pode ser ainda mais extraordinária. Além da resposta física, para eles há a possibilidade de resgatar a autoconfiança, criar laços de amizade e sair da solidão, além de se comunicar e tomar consciência de que ainda estão vivos. “O papel do terapeuta é ter clareza quanto às intervenções que faz, aproveitando e gerenciando cada instante durante as sessões. Afinal, nesse momento, é ele a ponte que leva o idoso ao encontro de suas próprias potencialidades”, conclui.

Pixar lança vídeo para apoiar adolescentes homossexuais

Pixar lança vídeo para apoiar adolescentes homossexuais
24/11/2010 15h21 • Rafael Takano

Fonte portal UOL

A famosa produtora de filmes Pixar, responsável por diversos clássicos do cinema moderno (tipo Toy Story e Nemo, se você é de Marte e não sabe do que estamos falando), publicou um vídeo com depoimentos de seus funcionários homossexuais. A postagem serve de apoio para evitar que adolescentes homossexuais tentem cometer suicídio.

Com a trágica onda de suicídios entre adolescentes homossexuais que atingiu os Estados Unidos, o bullying homofóbico é o novo alvo das pessoas de bem. Mas parece que um dos focos principais é fazer com que os adolescentes percebam que não é errado ser homossexual e que as pessoas devem se aceitar que uma hora tudo vai melhorar. E vale a pena aguentar um pouco antes que tudo melhore.

A campanha It Gets Better (algo como "Vai Ficar Melhor") procura mostrar aos adolescentes que eles devem dar mais atenção ao seu futuro e à exemplos de gays bem sucedidos, do que aos preconceituosos valentões da escola ou da rua.


leia mais em:

http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/news/2010/11/24/263005-pixar-lanca-video-para-apoiar-adolescentes-homossexuais

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Aborto e Eleições 2010

TEXTO RESUMIDO

Carta a um amigo teólogo sobre o aborto nas eleições de 2010

José Comblin *

•
Caríssimo Arnaldo,

• “Você se lembra do golpe eleitoral que estourou na véspera do primeiro turno das eleições de 2010 quando apareceu todo um alvoroço sobre a questão do aborto.”(...)Somente por distração os autores esqueceram-se de comunicar que a descriminalização do aborto estava no programa do PV, e que o candidato Serra já tinha autorizado o aborto em certos casos quando era ministro da saúde, o que lhe valeu os protestos da CNBB. Com certeza foi um esquecimento por distração. Por discrição os bispos omitiram o que aconteceu um dia na vida do casal Serra, o que foi bom porque a vida privada não deve interferir com a vida pública.(...)O seu argumento poderia ser que a descriminalização aumentaria o número de abortos. No entanto, a experiência de outros países mostra que, pelo contrário, diminui o número de abortos. Isto se explica facilmente. Pois uma vez que uma mulher pode falar abertamente em aborto, as autoridades podem com a ajuda de psicólogas, de assistentes sociais, de assistentes religiosos dialogar com ela e buscar com ela outra solução, o que de fato acontece.(...)eu pensava que os bispos fossem explicar o que estão fazendo na pastoral da sua diocese para lutar contra o aborto clandestino, e fizessem propostas aos candidatos nas eleições na base das suas experiências pastorais. Mas não havia nada disso no panfleto. Teria sido interessante saber como fazia a pastoral diocesana para evitar que houvesse abortos. Mas não havia nada. Os bispos gritavam, assustavam, condenavam, mas não diziam o que faziam. Alguns leitores pensaram: já que não falam da sua pastoral para evitar o aborto, deve ser porque não existe essa pastoral. Falam contra o aborto, mas não fazem nada para evitá-lo. Condenam, e mais nada.(...)A Igreja poderia ter uma pastoral para olhar o que acontece na rua, no bairro, quais são as meninas ou moças que podem estar em estado de perigo porque estão numa dessas categorias de risco. Poderia acolher ou dar assistência moral e material, dialogar, buscar outras soluções. A experiência mostra que às vezes um simples abraço faz com que desistam de fazer o aborto. O aborto é o resultado da indiferença da comunidade cristã.(...) Somos todos culpados, todos cúmplices por omissão e, em primeiro lugar, teríamos que pedir perdão pelo nosso descuido em lugar de acusar essas mulheres.(...)Não faz sentido dizer que sou contra o aborto e estou defendendo a vida se não faço nada.(...) Mas uma pastoral da família ou uma pastoral específica para esse problema poderia evitar que muitas mulheres angustiadas e desesperadas tenham quer recorrer ao aborto que nenhuma mulher pede sem chorar. Porque esperar antes de desenvolver essa pastoral?Então, qual foi o testemunho de amor que a Igreja deu com esse panfleto eleitoral?
José Comblin, grande pecador e cúmplice por omissão.

• * Teólogo




TEXTO COMPLETO

Carta a um amigo teólogo sobre o aborto nas eleições de 2010
José Comblin *

Adital -
Caríssimo Arnaldo,
Você se lembra do golpe eleitoral que estourou na véspera do primeiro turno das eleições de 2010 quando apareceu todo um alvoroço sobre a questão do aborto. Esse alvoroço permaneceu durante todo o mês de outubro até o segundo turno. Nas igrejas e fora das igrejas foram distribuídos milhões de panfletos assinados pelos bispos da diretoria do regional Sul 1 para intimar os católicos a votar no candidato José Serra. O motivo era que os candidatos do PT, principalmente a candidata à presidência da república, queriam legalizar o aborto no Brasil e, por conseguinte, queriam implantar uma cultura de morte.
Esse incidente me levou a refletir um pouco sobre esse fato bastante estranho e o seu significado eclesial. Quero comunicar-lhe aqui alguma coisa dessas reflexões.
Os bispos denunciadores se diziam os defensores da vida, isto é, pessoas que lutam contra o aborto e lutam contra todos os políticos que defendem o aborto descriminalizado no Brasil. O seu linguajar foi o que usam os movimentos que se dizem defensores da vida porque condenam o aborto. Era um linguajar violento, condenatório. Somente por distração os autores esqueceram-se de comunicar que a descriminalização do aborto estava no programa do PV, e que o candidato Serra já tinha autorizado o aborto em certos casos quando era ministro da saúde, o que lhe valeu os protestos da CNBB. Com certeza foi um esquecimento por distração. Por discrição os bispos omitiram o que aconteceu um dia na vida do casal Serra, o que foi bom porque a vida privada não deve interferir com a vida pública
Sucede que a Igreja condena desde sempre o aborto, e estabeleceu uma pena de excomunhão para todos os que têm participação ativa. Conseguiu que houvesse no Brasil uma lei que criminaliza o aborto. Mas o Brasil é um dos países onde há mais abortos. Alguns dizem 70.000 por ano, outros estudos chegam a dizer que uma de cada 5 mulheres no Brasil já praticou um aborto. Sempre é um aborto clandestino e naturalmente é feito nas piores condições para os pobres. Pois para quem tem condições há clínicas particulares bem equipadas, conhecidas, porém jamais denunciadas pela Igreja. Sobre essas clínicas para os ricos o poder judicial fecha pudicamente os olhos. Afinal, trata-se de pessoas importantes As condenações da Igreja não têm nenhum efeito. A lei da república não tem nenhum efeito. Os defensores da vida não conseguem defender nada. Falam, falam, mas sem resultado. Condenam, condenam, mas o crime se comete com a maior indiferença pelas condenações verbais ou legais. Falam, condenam e nada acontece. Eles se dão boa consciência achando que defendem a vida, mas não defendem nada. Há um lugar no evangelho em que Jesus fala das pessoas que falam e não fazem nada. Impedem a descriminalização, mas defendem a situação atual, ou seja, são defensores do aborto clandestino, que é a situação atual.
O seu argumento poderia ser que a descriminalização aumentaria o número de abortos. No entanto, a experiência de outros países mostra que, pelo contrário, diminui o número de abortos. Isto se explica facilmente. Pois uma vez que uma mulher pode falar abertamente em aborto, as autoridades podem com a ajuda de psicólogas, de assistentes sociais, de assistentes religiosos dialogar com ela e buscar com ela outra solução, o que de fato acontece. Muitas mulheres não teriam feito o aborto se tivessem recebido ajuda moral ou material, quando estavam desamparadas.
Já que o documento era assinado por bispos, eu pensava que os bispos fossem explicar o que estão fazendo na pastoral da sua diocese para lutar contra o aborto clandestino, e fizessem propostas aos candidatos nas eleições na base das suas experiências pastorais. Mas não havia nada disso no panfleto. Teria sido interessante saber como fazia a pastoral diocesana para evitar que houvesse abortos. Mas não havia nada. Os bispos gritavam, assustavam, condenavam, mas não diziam o que faziam. Alguns leitores pensaram: já que não falam da sua pastoral para evitar o aborto, deve ser porque não existe essa pastoral. Falam contra o aborto, mas não fazem nada para evitá-lo. Condenam, e mais nada.
Pois, poderiam fazer muita coisa. Muitas mulheres que querem fazer o aborto, são mulheres angustiadas, perdidas, desesperadas que se sentem numa situação sem saída. Muitas querem o aborto porque os seus pais não aceitam que tenham uma criança. Outras são obrigadas a fazer o aborto pelo homem que as estuprou, e que pode ser o próprio pai, um irmão, um tio, um padrasto. Outras estão desesperadas porque a empresa em que trabalham, não permite que tenham criança. Outras são empregadas domésticas e a patroa não aceita que tenham que cuidar de uma criança. Então essas meninas ou moças ficam angustiadas e não sabem o que fazer. Não recebem atendimento, não recebem conselho, não recebem apoio nem moral nem material, porque tudo é clandestino e nem sequer se atrevem a falar com outras pessoas a não ser algumas amigas muito próximas. Não achando alternativa, a contra-gosto e com muito sofrimento recorrem ao aborto. A Igreja não as ajudou quando precisavam de ajuda.
A Igreja poderia ter uma pastoral para olhar o que acontece na rua, no bairro, quais são as meninas ou moças que podem estar em estado de perigo porque estão numa dessas categorias de risco. Poderia acolher ou dar assistência moral e material, dialogar, buscar outras soluções. A experiência mostra que às vezes um simples abraço faz com que desistam de fazer o aborto. O aborto é o resultado da indiferença da comunidade cristã. Somos todos culpados, todos cúmplices por omissão e, em primeiro lugar, teríamos que pedir perdão pelo nosso descuido em lugar de acusar essas mulheres. Era o que se esperava de um documento assinado por bispos, que, afinal, representam o evangelho e a maneira como Jesus tratava os pecadores.
Jesus não condenou os pecadores e o que se espera da Igreja é que tenha muita misericórdia, muita compreensão e que ajude efetivamente essas pessoas que estão numa situação tão difícil. Poderíamos fazer sugestões ao poder legislativo no sentido de criar instituições para responder e tantos casos em que a vida humana está em perigo, e este é um deles.
Não faz sentido dizer que sou contra o aborto e estou defendendo a vida se não faço nada. Não estou defendendo vida nenhuma e o aborto está aí e não faço nada. O governo tem uma lei que criminaliza o aborto e essa lei não se aplica. Só serve para que o aborto seja clandestino, isto é, feito nas piores condições morais e físicas, salvo para as pessoas de boa condição. Essa lei é inaplicável e a Igreja nem se atreve a pedir que ela se aplique. Seria preciso construir milhares de penitenciarias e colocar nas prisões talvez um milhão de mulheres. A Igreja não pede isso e se conforma com o aborto clandestino. Na prática nada faz contra o aborto clandestino.
Existe a alternativa da descriminalização, que é para os nossos defensores da vida a proposta de Satanás. A chantagem dos chamados defensores da vida fez com que todos condenem a descriminalização, como faz a Igreja. Quem sou eu para julgar? Os bispos do Regional Sul 1 acham melhor o aborto clandestino. Quem sou eu para discutir? Porém, teria o direito de pedir mais discrição e mais humildade, porque afinal somos todos cúmplices por omissão se não fazemos nada para prevenir os abortos tão numerosos no Brasil. A condenação é inoperante. Mas uma pastoral da família ou uma pastoral específica para esse problema poderia evitar que muitas mulheres angustiadas e desesperadas tenham quer recorrer ao aborto que nenhuma mulher pede sem chorar. Porque esperar antes de desenvolver essa pastoral?
Então, qual foi o testemunho de amor que a Igreja deu com esse panfleto eleitoral?
José Comblin, grande pecador e cúmplice por omissão.
* Teólogo

sábado, 13 de novembro de 2010

Lelê e a escola perfeita

Esses dias eu perguntei aqui no blog como que devia ser a escola perfeita e um monte de gente mandou idéias e desenhos.

Com os desenhos que chegaram e com os que vão chegar, eu vou fazer um álbum aqui no UOL mostrando todos.

E com as idéias eu vou fazer dois textos: um nessa semana e outro na próxima.

Bom, a escola perfeita é assim:

http://blogdolele.blog.uol.com.br/arch2010-11-01_2010-11-30.html

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Tiririca passa no teste de leitura e escrita, diz TRE-SP

Apu Gomes/Folha
Fonte: portal UOL

Tiririca receberá o diploma de deputado federal. Passou no teste de escrita e leitura, realizado nesta quinta (11).


A prova foi feita a portas fechadas. Quem informou o resultado foi o presidente do TRE-SP, Walter de Almeida Guilherme.


Ele conta que Tiririca, o deputado mais votado do país, submeteu-se a um ditado. O texto foi extraído de um livro editado pelo próprio TRE.


Depois, o dono de mais de 1,3 milhão de votos teve de ler um trecho de notícia de jornal.


Por último, Tiririca foi convidado a dizer o que entendeu daquilo que acabara de escrever e ler.


O comediante não permitiu que fosse periciado o manuscrito que havia encaminhado à Justiça Eleitoral, no registro da candidatura, como “prova” de alfabetização.


Diante da recusa, a Justiça Eleitoral nada pôde fazer. Walter Guilherme, o presidente do TRE, disse que, pela lei, ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo.



Seja como for, realizados os testes, o TRE deliberou que Tiririca será diplomado. Avaliou-se que está apto a assumir uma cadeira de deputado federal.


Leia também de nossa autoria:

TIRIRICA E AS OUTRAS CARAS DO BRASIL

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